O Que Ouvi, Vi e Li e Não Esqueci - 2025

Cena do filme Sirât

As listas são tentativas de organizar o caos que a vida é. Nunca traduzirão uma verdade universal sobre seja o que for, ou produzirão um sentido capaz de ser apreendido por todos. É como olhar para as estrelas no céu, sabendo que nunca conseguiremos aceder a uma descrição completa do que vemos, mas mesmo assim tentando, utopicamente. Ou, como dizia Umberto Eco, gostamos de listas que retratam o infinito, porque nos confrontamos com um limite, a morte. Alguns destes objetos, entre discos, exposições, filmes ou livros, estou em crer, ajudaram-me de alguma forma a entender-me melhor, e à realidade à volta, nos últimos meses. Já não é mau.

 

20 ÁLBUNS

1. Blood Orange – Essex Honey

2. Dijon – Baby

3. John Glacier – Like A Ribbon

4. Aya – Hexed!

5. Baiana System – O Mundo Dá Voltas

6. Rafael Toral – Traveling Light

7. Maria Somerville – Luster

8. Carrier – Rhythm Immortal

9. Model/Actriz – Pirouette

10. FKA Twigs – Eusexua

11. Geese – Getting Killed

12. Joanne Robertson – Blurrr

13. Nourished By Time – The Passionate Ones

14. Jenny Hval – Iris Silver Mist

15. Destroyer – Dan’s Boogie

16. Moin – Belly Up!

17. Rosalía – Lux

18. They Are Gutting a Body of Water – Lotto

19. A Garota Não – Ferry Gold

20. Marie Davidson – City Of Clowns

 

5 CONCERTOS

1.FKA Twigs – Festival Kalorama, Lisboa

2. Rodrigo Cuevas – Estalagem da Ponta do Sol, Madeira

3. Fidju Kitxora – Centro Cultural Vila Flôr, Westway Lab, Guimarães

4. Criatura – Tivoli, Lisboa

5. Carrier – ZDB, Lisboa  

 

10 EXPOSIÇÕES

1. Rui Moreira – Transe (Maat)

2. JulianKnxx – Coro em Rememória de um Voo (Gulbenkian)

3. Wolfgang Tillmans – Rien Ne Nous y Préparait – Tout Nous y Préparait (Pompidou)

4. Vários – Festival de Artes Walk&Talk (Açores)

5. Colectiva – Complexo Brasil (Gulbenkian)  

6. Francisco Vidal - Escola Utópica de Lisboa (Pavilhão Branco)

7. Colectiva – Avenida 211 (MAC/CCB)

8. Adriana Molder – Antares (Torreão da Cardoaria Nacional)

19. Pedro Magalhães – No Fundo (MACE)

10. Colectiva – Venham Mais Cinco – O Olhar Estrangeiro sobre a Revolução (Parque empresarial da Mutela, Cacilhas)

 

10 FILMES

1. Sirât – Óliver Laxe

2. On falling – Laura Carreira

3. Foi Só Um Acidente – Jafar Panahi

4. O Riso e a Faca – Pedro Pinho

5. Justa – Teresa Villaverde

6. Cão Preto – Guan Hu

7. Hanami – Denise Fernandes  

8. Banzo – Margarida Cardodo

9. Orlando Pantera – Catarina Alves Costa

10. Paraíso – Daniel Mota

 

1 BANDA-SONORA:

Sirât – Kangding Ray

 

3 ESPECTÁCULOS: 

1. Not – Marlene Monteiro Freitas (Culturgest)

2. A Colónia – Marco Martins (Culturgest)

3. A Mão do Senhor – Elmano Sancho (Ruas de Lisboa)

 

3 LIVROS:

1.Günther Anders – El Piloto de Hiroshima: Más allá de Los Limites de la Consciencia. Correspondencia entre Claude Eatherly y Günther Anders.

2.Quinn Slobodian – Hayek’s Bastards: Race, Gold, IQ, and the Capitalism of the Far Right

3. McKenzie Wark – Raving

 

6 CENAS:

1.O filme Sirât foi o objeto artístico mais importante do ano para mim. Dividiu totalmente opiniões. Faz-me sentido. Deprimente e totalitário, para uns. Sintoma do tempo presente, mas com vontade de o transcender, para outros, entre os quais me incluo. A mudança não se fará de forma cómoda. Implicará ousar um salto de fé.

2. Dia mais feliz do ano, 29 de Abril, o Apagão, quando durante algumas horas se ensaiou que, sim, existem alternativas ao nosso estilo de vida.

3. Farto de diagnósticos. Já se percebeu há muito que chegaram os brutalistas e capitalistas autoritários ao poder para destruir o estado social, reprimir minorias, imigrantes, precários, o bem-comum, a democracia. Há mais de 10 anos a ouvir isso e eu próprio a escrever o mesmo. Quem ainda não entendeu, não será agora que o irá fazer. Farto da cumplicidade de tantos que se dizem progressistas e comunitários, mas limitam-se a ser tacticistas e a pensar em si próprios e na sua rede. Nada se fará com eles. Só querem manter as coisas como estão. É na imaginação dos que querem transcender os sintomas, ir muito além deles, que se poderá depositar confiança. Onde andam eles?

4. Estilosa. Patti Smith sempre na moda sem querer estar na moda.

5. 2025 como se fosse 1995 (Pulp, Oasis, Radiohead) 

6. Inauguração da Casa Capitão

 

MORTES:  

David Lynch

D’ Angelo

Marianne faifhtull

Roberta Flack

Roy Ayres

Sly Stone  

Sei Miguel

Nuno Rodrigues (Banda do Casaco)

Martin Parr

Augusto Alves da Silva

Frank O.Gehry

Bob Wilson

Papa Francisco

Pepe Mujica

Anterior
Anterior

O Intemporal Regresso a Durutti Column

Próximo
Próximo

Há música, poesia e verdade nos jeans coçados de Pedro Magalhães