Ensaios, entrevistas, reportagens, reflexões, de hoje, e do passado presente, sobre cultura, música, artes, ideias, sociedade e política. Porque isto anda tudo ligado.
João Pimenta Gomes entre dois desertos
Há artistas que escolhem um território. João Pimenta Gomes prefere habitar na fronteira entre vários. O lançamento do álbum de estreia Dois Desertos, praticamente em simultâneo com a inauguração da exposição New Age no MAAT, torna evidente essa recusa de separar música, arte sonora ou escultura.
Raízes, tradições e outras inspirações: O presente é dos Bandua
Os Bandua, no novo álbum, propõem uma reabertura ao mundo. E nessa cosmogonia da terra, onde tradição e futuro deixam de ser opostos, a música recupera uma das suas capacidades mais raras: a de pensar, convocar e transformar.
Os protestos em Espanha pela habitação podem alastrar ao resto da Europa? Sim.
Espanha poderá ser um sinal antecipado de uma conflitualidade e mudança social mais ampla, com a habitação na agenda política e social de grande parte da Europa.
Björk e a descoberta da intimidade como lugar de revolução
Há 25 anos, o álbum “Vespertine” da islandesa foi o ponto de viragem, o lugar onde a intimidade se tornou revolução.
A casa-atelier de Lourdes Castro e a falta de visão política e cultural
O abandono da casa é a metáfora perfeita daquilo que acontece quando um país não reconhece o valor simbólico dos seus criadores: a casa do pensamento torna-se ruína, e a memória fica à mercê da especulação.
Corpos Sob Pressão
O pensamento dominante na saúde funciona dentro de uma gramática de responsabilização individual, evitando-se mencionar as causas sociais.
O corpo como território instável nas imagens de Ska Batista
No livro “Fred”, o corpo surge como território instável. Não há poses nem afirmações categóricas, apenas gestos, rastos, presenças insinuadas e ausências que pesam. O corpo é processo, matéria em transformação.
Eurovisão e as contradições da neutralidade
Quando interessa afirmar valores de diversidade e inclusão, o festival assume-se político. Quando é confrontado com política estrutural, refugia-se na neutralidade.
Olof Dreijer: de ‘Silent Shout’ a ‘Loud Bloom’
Ainda subsistem traços do universo inquietante dos The Knife e Fever Ray, que ajudou a construir com a irmã, mas no primeiro álbum a solo é a procura da luz e do prazer que domina.
No cinema com Billie Eilish
O filme-concerto “Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D”, realizado por James Cameron com Billie Eilish, intensifica a sensação de intimidade, e de apoteose épica, que atravessa os espectáculos dela.
A festivalização da cultura
Portugal tem muitos festivais porque não tem um ecossistema cultural sólido. Os festivais são próteses para uma cultura que não consegue respirar todos os dias.
Fidju Kitxora: salto para o infinito
O segundo álbum, “Ti Manxe”. Mais uma obra fascinante que cruza eletrónicas, diáspora cabo-verdiana, Santiago e Cova, práticas transnómadas, recolha de sons, procuras coletivas e individuais e criação de identidades musicais múltiplas.
Na casa de Ana da Silva
Sai-se da galeria Porta33, no Funchal, Madeira, com o privilégio de se ter estado na casa de Ana da Silva (The Raincoats). Alguém profundamente livre.
Novos àlbuns de Fidju Kitxora e Bandua: diferentes e familiares
Tenho andado mergulhado nos segundos álbuns de Fidju Kitxora e Bandua, ambos prestes a ver a luz do dia. Mundos diferentes e, no entanto, com pontos de contacto. Com eles volto a sentir a vibração de quando a música abre portas para algo maior do que ela própria.
A tiktoktização da realidade
Não há muito tempo, quando se queria nomear uma certa infantilização das redes, dava-se como exemplo o TikTok. Agora é o exemplo a seguir.
Encruzilhadas do ecossistema da música no Westway Lab
Reflexões sobre o campo da música popular, a partir do Westway Lab de Guimarães, num movimento de eterna mudança onde nunca pareceu haver tanta música. Por um lado, sinal vitalidade, por outro, de conflitualidades.
Wu Lyf : o regresso inesperado
O colectivo inglês Wu Lyf deu nas vistas há quinze anos, depois desapareceram misteriosamente. Regressam agora com um segundo álbum.
Antes e depois: “Blue Lines” dos Massive Attack
Uma obra para a história da música popular: “Blue Lines”, álbum inaugural dos Massive Attack, faz agora 35 anos. Sintetizou o que vinha de trás, projetou o que se seguiria.
Direita brutamontes, Esquerda reactiva e falta de imaginação política
Por norma é depois de eleições, que a esquerda gosta de fazer terapia. De curta duração. Apenas por alguns dias. Depois existem ciclos de vai-e-vem. Mesmo agora, em Portugal, estamos num desses períodos onde se reflete sobre os motivos da depressão.
Rosalía e a instrumentalização da fé
Até o simples facto de atuar em Portugal dias depois da Páscoa (8 e 9 de Abril) serve para alimentar discursos exaltados sobre fé e renascimento.