Ensaios, entrevistas, reportagens, reflexões, de hoje, e do passado presente, sobre cultura, música, artes, ideias, sociedade e política. Porque isto anda tudo ligado.
A pornográfica coreografia do poder global
Leio a enxurrada de noticias sobre os Ficheiros Epstein e só me vem à cabeça outro escândalo global – os Panama Papers – já esquecido. O que mais impressiona é a dança pornográfica de poder, favores, tráfico, dinheiro, controlo, sexo. E tudo isto sempre numa teia ambígua.
Bad Bunny? Não conheço.
Há uma dimensão interessante na maior parte das análises sobre o efeito Bad Bunny, que é o de se assumir que nunca se tinha ouvido falar dele.. Perante qualquer outro tema, dizer algo semelhante, implica prudência. Pudor, até. Aqui não. A ignorância é exibida com galhardia.
Criolo, Amaro e Dino: Lusotopia
É um álbum de família. Mas não de sangue, ou mesmo de língua, ou de estética. É de escolha, afeto, amizade. Criolo, Amaro Freitas e Dino d’ Santiago.
“André Ventura ouve kizomba”
Ventura transforma mistura em ameaça, decadência ou corrupção, mas tudo é mistura. Não é apenas a kizomba.
Fernando Mamede e as narrativas de saúde mental
Fernando Mamede (1951-2026), no atletismo, bateu recordes da Europa e do mundo nos anos 80, mas acabou por ficar mais conhecido por falhar em provas decisivas. Seria diferente hoje, quando a saúde mental tem outra presença no espaço público?
Calcutá: quando a neblina emocional se vai dissipando
Há imensas sombras em “Soon After Dawn“, álbum de estreia de Teresa Castro, ou seja Calcutá, e no entanto eis um conjunto de temas que expõe como essa neblina emocional se vai dissipando..
Desigualdades extremas ou redistribuição: uma questão política
Todos os anos, nos últimos quinze, a Oxfam, revela um relatório anual sobre desigualdades. E a conclusão é sempre a mesma. Têm aumentado de forma exponencial.
Tempo de voltar aos misteriosos Croix Sainte
Os Croix Sainte, uma das bandas mais influentes e misteriosas do Portugal dos anos 80, vê agora o seu único disco lançado ser alvo de reedição em vinil. “The Life Of He”.
Os dias em família de Jim Jarmusch
É difícil representar essa ideia agridoce de que viver é aprender a conviver com o que não se resolveu. No seu último filme, sobre laços familiares, Jim Jarmusch, consegue-o.
O absurdo de existir segundo Dry Cleaning
Os ingleses Dry Cleaning têm novo álbum, “Secret Love”, apostando no contraste entre uma ideia muito livre de pós-punk, e a forma introvertida com que desfiam observações sobre o quotidiano.
Blackstar. Há dez anos saiu o último testemunho de David Bowie
Há dez anos foi editado “Blackstar”, o último testemunho de Bowie. Estávamos a 8 de Janeiro de 1996, quando surpreendia o mundo pela última vez, lançando um álbum ousado e inquietante, com músicos de jazz a recriarem formas disformes com algum rock lá dentro. Nesse dia completou 69 anos de idade. Dois dias depois, morreu.
O Intemporal Regresso a Durutti Column
Na altura em que é relançado o álbum de estreia de Durutti Column, regresso ao passado de uma música sempre presente.
O Que Ouvi, Vi e Li e Não Esqueci - 2025
Alguns destes objetos, entre discos, exposições, filmes ou livros, estou em crer, ajudaram-me de alguma forma a entender-me melhor, e à realidade à volta, nos últimos meses. Já não é mau.
Há música, poesia e verdade nos jeans coçados de Pedro Magalhães
Há música por todo o lado em “No Fundo”, nova exposição de Pedro Magalhães, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), com curadoria de Ana Cristina Cachola.
My Bloody Valentine: “Um estúdio, árvores e passarada! O que podemos pedir mais?”
Nos últimos dias não se tem falado de outra coisa. Os My Bloody Valentine voltaram, de surpresa, aos palcos e as reações de arrebatamento têm-se sucedido. A sua influência tornou-se inequívoca nas últimas décadas. Há quatro anos, em entrevista, Kevin Shields, dizia que se encontrava mais motivado do que nunca. O tempo tem vindo a dar-lhe razão.
Sétima Legião: Viagem a Um Deus Desconhecido
Foi como se fossem dois concertos. No primeiro, ouviu-se na íntegra “A Um Deus Desconhecido”, álbum de estreia da Sétima Legião. E no segundo, muitas das canções mais conhecidas, acumuladas com os anos. Foi emocionante, no CCB, o espetáculo onde se revisitou esse gesto inaugural.
Uma Vitória Inspiradora, Muito Além de Nova Iorque
Chamaram-lhe inexperiente, antissemita, comunista e os estigmas islamafóbicos foram uma constante. Mas Zohran Mamdani, 34 anos, muçulmano, de raízes africanas e indianas, pró-Palestina, defensor dos imigrantes, com politicas sociais claras, foi mesmo eleito esta madrugada para dirigir os destinos de Nova Iorque.
Exportar música portuguesa: da oportunidade ao vazio
Nunca como hoje pareceu que a música portuguesa tem tantas hipóteses de competir no exterior. Há noção de como operar em circuitos mais minoritários, mesmo se os problemas em termos estruturais, ou num plano mais geral, acabam por se manter.
Uma exposição surpreendente: Avenida 211
Durante quase uma década, entre 2006 e 2014, na avenida da Liberdade, Lisboa, um grupo de artistas teve à sua disposição um edifício de quatro pisos, pertencente ao banco Espírito Santo, numa lógica gratuita e temporária. Uma experiência invulgar, refletida na exposição “Avenida 211”, no MAC/CCC em Lisboa.
Sam The Kid: no meu tempo havia uma coisa bonita que era a sedução
Há 23 anos Sam The Kid lançou um álbum que marcou para sempre a música feita em Portugal, “Beats Vol 1: Amor”, inspirado na relação dos pais. Apresenta-o este fim-de-semana no CCB, em Lisboa, e a 25 de Novembro, na Casa da Música do Porto, acompanhado por Orquestra e Orelha Negra. Em 2002, entrevistei-o, em primeira mão, a propósito desse disco. Fica aí o texto.