Ensaios, entrevistas, reportagens, reflexões, de hoje, e do passado presente, sobre cultura, música, artes, ideias, sociedade e política. Porque isto anda tudo ligado.
O corpo como território instável nas imagens de Ska Batista
No livro “Fred”, o corpo surge como território instável. Não há poses nem afirmações categóricas, apenas gestos, rastos, presenças insinuadas e ausências que pesam. O corpo é processo, matéria em transformação.
Eurovisão e as contradições da neutralidade
Quando interessa afirmar valores de diversidade e inclusão, o festival assume-se político. Quando é confrontado com política estrutural, refugia-se na neutralidade.
Olof Dreijer: de ‘Silent Shout’ a ‘Loud Bloom’
Ainda subsistem traços do universo inquietante dos The Knife e Fever Ray, que ajudou a construir com a irmã, mas no primeiro álbum a solo é a procura da luz e do prazer que domina.
No cinema com Billie Eilish
O filme-concerto “Hit Me Hard and Soft: The Tour in 3D”, realizado por James Cameron com Billie Eilish, intensifica a sensação de intimidade, e de apoteose épica, que atravessa os espectáculos dela.
A festivalização da cultura
Portugal tem muitos festivais porque não tem um ecossistema cultural sólido. Os festivais são próteses para uma cultura que não consegue respirar todos os dias.
Fidju Kitxora: salto para o infinito
O segundo álbum, “Ti Manxe”. Mais uma obra fascinante que cruza eletrónicas, diáspora cabo-verdiana, Santiago e Cova, práticas transnómadas, recolha de sons, procuras coletivas e individuais e criação de identidades musicais múltiplas.
Na casa de Ana da Silva
Sai-se da galeria Porta33, no Funchal, Madeira, com o privilégio de se ter estado na casa de Ana da Silva (The Raincoats). Alguém profundamente livre.
Novos àlbuns de Fidju Kitxora e Bandua: diferentes e familiares
Tenho andado mergulhado nos segundos álbuns de Fidju Kitxora e Bandua, ambos prestes a ver a luz do dia. Mundos diferentes e, no entanto, com pontos de contacto. Com eles volto a sentir a vibração de quando a música abre portas para algo maior do que ela própria.
A tiktoktização da realidade
Não há muito tempo, quando se queria nomear uma certa infantilização das redes, dava-se como exemplo o TikTok. Agora é o exemplo a seguir.
Encruzilhadas do ecossistema da música no Westway Lab
Reflexões sobre o campo da música popular, a partir do Westway Lab de Guimarães, num movimento de eterna mudança onde nunca pareceu haver tanta música. Por um lado, sinal vitalidade, por outro, de conflitualidades.
Wu Lyf : o regresso inesperado
O colectivo inglês Wu Lyf deu nas vistas há quinze anos, depois desapareceram misteriosamente. Regressam agora com um segundo álbum.
Antes e depois: “Blue Lines” dos Massive Attack
Uma obra para a história da música popular: “Blue Lines”, álbum inaugural dos Massive Attack, faz agora 35 anos. Sintetizou o que vinha de trás, projetou o que se seguiria.
Direita brutamontes, Esquerda reactiva e falta de imaginação política
Por norma é depois de eleições, que a esquerda gosta de fazer terapia. De curta duração. Apenas por alguns dias. Depois existem ciclos de vai-e-vem. Mesmo agora, em Portugal, estamos num desses períodos onde se reflete sobre os motivos da depressão.
Rosalía e a instrumentalização da fé
Até o simples facto de atuar em Portugal dias depois da Páscoa (8 e 9 de Abril) serve para alimentar discursos exaltados sobre fé e renascimento.
Sereias: se não desconfortar, algo já morreu
Há quatro anos, num álbum homónimo, já dançavam num campo minado onde cada acorde, cada palavra, nos podia rebentar na cara. Agora regressam mais sequiosos com “A Odisseia de Carlos Bizarro”. Um objeto sonoro que parece prestes a ruir – e é aí que reside a sua força brutal. Sereias.
O futuro da cultura da música já está a acontecer
Em Vila Nova de Foz Côa, cerca de uma centena de profissionais europeus ligados à música reuniu-se para pensar o presente e futuro do sector. Foi no Act In Synch.
Kim Gordon, play me
Saber ler a realidade cultural do momento, não para a reproduzir como um espelho, mas dialogar com ela, propondo pequenas torções. Tem sido esse o segredo de sempre de Kim Gordon. Volta a sê-lo no novo álbum, “Play Me”.
O caso de Foz Côa foi há 30 anos. E os ecos reverberam hoje
O Parque Arqueológico do Vale do Côa celebra por estes dias 30 anos e nunca como hoje aquela experiência ali iniciada merece ser discutida e refletida.
Uma aventura inspiradora com 15 anos - Príncipe Discos
Uma história bonita, a da editora Príncipe Discos, de DJ Marfox, Nídia, Nigga Fox ou DJ Firmeza, da Lisboa metropolitana para o mundo. Celebram-se agora os 15 anos de existência.
A pornográfica coreografia do poder global
Leio a enxurrada de noticias sobre os Ficheiros Epstein e só me vem à cabeça outro escândalo global – os Panama Papers – já esquecido. O que mais impressiona é a dança pornográfica de poder, favores, tráfico, dinheiro, controlo, sexo. E tudo isto sempre numa teia ambígua.