Ensaios, entrevistas, reportagens, reflexões, de hoje, e do passado presente, sobre cultura, música, artes, ideias, sociedade e política. Porque isto anda tudo ligado.
Tempo de voltar aos misteriosos Croix Sainte
Os Croix Sainte, uma das bandas mais influentes e misteriosas do Portugal dos anos 80, vê agora o seu único disco lançado ser alvo de reedição em vinil. “The Life Of He”.
Os dias em família de Jim Jarmusch
É difícil representar essa ideia agridoce de que viver é aprender a conviver com o que não se resolveu. No seu último filme, sobre laços familiares, Jim Jarmusch, consegue-o.
O absurdo de existir segundo Dry Cleaning
Os ingleses Dry Cleaning têm novo álbum, “Secret Love”, apostando no contraste entre uma ideia muito livre de pós-punk, e a forma introvertida com que desfiam observações sobre o quotidiano.
Blackstar. Há dez anos saiu o último testemunho de David Bowie
Há dez anos foi editado “Blackstar”, o último testemunho de Bowie. Estávamos a 8 de Janeiro de 1996, quando surpreendia o mundo pela última vez, lançando um álbum ousado e inquietante, com músicos de jazz a recriarem formas disformes com algum rock lá dentro. Nesse dia completou 69 anos de idade. Dois dias depois, morreu.
O Intemporal Regresso a Durutti Column
Na altura em que é relançado o álbum de estreia de Durutti Column, regresso ao passado de uma música sempre presente.
O Que Ouvi, Vi e Li e Não Esqueci - 2025
Alguns destes objetos, entre discos, exposições, filmes ou livros, estou em crer, ajudaram-me de alguma forma a entender-me melhor, e à realidade à volta, nos últimos meses. Já não é mau.
Há música, poesia e verdade nos jeans coçados de Pedro Magalhães
Há música por todo o lado em “No Fundo”, nova exposição de Pedro Magalhães, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), com curadoria de Ana Cristina Cachola.
My Bloody Valentine: “Um estúdio, árvores e passarada! O que podemos pedir mais?”
Nos últimos dias não se tem falado de outra coisa. Os My Bloody Valentine voltaram, de surpresa, aos palcos e as reações de arrebatamento têm-se sucedido. A sua influência tornou-se inequívoca nas últimas décadas. Há quatro anos, em entrevista, Kevin Shields, dizia que se encontrava mais motivado do que nunca. O tempo tem vindo a dar-lhe razão.
Sétima Legião: Viagem a Um Deus Desconhecido
Foi como se fossem dois concertos. No primeiro, ouviu-se na íntegra “A Um Deus Desconhecido”, álbum de estreia da Sétima Legião. E no segundo, muitas das canções mais conhecidas, acumuladas com os anos. Foi emocionante, no CCB, o espetáculo onde se revisitou esse gesto inaugural.
Uma Vitória Inspiradora, Muito Além de Nova Iorque
Chamaram-lhe inexperiente, antissemita, comunista e os estigmas islamafóbicos foram uma constante. Mas Zohran Mamdani, 34 anos, muçulmano, de raízes africanas e indianas, pró-Palestina, defensor dos imigrantes, com politicas sociais claras, foi mesmo eleito esta madrugada para dirigir os destinos de Nova Iorque.
Exportar música portuguesa: da oportunidade ao vazio
Nunca como hoje pareceu que a música portuguesa tem tantas hipóteses de competir no exterior. Há noção de como operar em circuitos mais minoritários, mesmo se os problemas em termos estruturais, ou num plano mais geral, acabam por se manter.
Uma exposição surpreendente: Avenida 211
Durante quase uma década, entre 2006 e 2014, na avenida da Liberdade, Lisboa, um grupo de artistas teve à sua disposição um edifício de quatro pisos, pertencente ao banco Espírito Santo, numa lógica gratuita e temporária. Uma experiência invulgar, refletida na exposição “Avenida 211”, no MAC/CCC em Lisboa.
Sam The Kid: no meu tempo havia uma coisa bonita que era a sedução
Há 23 anos Sam The Kid lançou um álbum que marcou para sempre a música feita em Portugal, “Beats Vol 1: Amor”, inspirado na relação dos pais. Apresenta-o este fim-de-semana no CCB, em Lisboa, e a 25 de Novembro, na Casa da Música do Porto, acompanhado por Orquestra e Orelha Negra. Em 2002, entrevistei-o, em primeira mão, a propósito desse disco. Fica aí o texto.
O Ódio aos Pobres
Está em vigor uma guerra aos pobres, aos mais fragilizados e indefesos, pelo mundo. Ontem foi no Rio de Janeiro, mas o poder da brutalidade, do mais forte, do mais endinheirado, do mais cruel, parece estar por todo o lado. E talvez esteja.
Arte Explosiva de Cai Guo-Qiang
Esta quarta-feira, em Paris, o icónico Centro Pompidou fechou por cinco anos, para obras de renovação, e a grande atração foi um impactante espetáculo pirotécnico .de Cai Guo-Qiang, conhecido artista chinês, a viver em Nova Iorque.
Fixar o Invisível: o documentário “Paraíso”
O documentário “Paraíso”, sobre as movimentações da música de dança em Portugal nos anos 90, consegue fixar um momento agitado da cultura portuguesa, a que nunca se deu muita atenção.
Recuperar a humanidade perdida com Günther Anders
A atualidade do pensamento do filósofo alemão Günther Anders (1902 - 1992) é inquestionável. A sua correspondência com um dos pilotos que participou no arrasamento de Hiroxima, e que nunca mais recuperou dessa missão, é uma obra admirável sobre as questões do nosso tempo.
O Improvável Renascimento de D’ Angelo
Morreu D’ Angelo, um dos músicos maiores do nosso tempo. Recordo aqui a crónica de um concerto londrino, em 2015, pouco tempo depois da edição do seu último álbum, "Black Messiah".
Um Novo Ciclo para um Walk&Talk Inspirador
Ainda só começou há uma semana. Termina a 30 de Novembro, na ilha de São Miguel. Mas já se pode dizer que o novo formato do Walk&Talk – de festival para bienal – é o início conseguido de um novo ciclo. Existe um aprofundar, sem que a vitalidade e a atitude inquieta se tenham ressentido.
Diálogos Geracionais na Arte dos Açores
Havia uma tendência em pensar que antes do Walk&Talk, Tremor, da galeria Fonseca Macedo ou do Arquipélago, a criação contemporânea havia sido praticamente inexistente nos Açores. Agora, na Bienal Walk&Talk, existe um processo de reconhecimento, enquanto as novas gerações se afirmam. .