Antes e depois: “Blue Lines” dos Massive Attack

Estávamos em plena Guerra do Golfo, na alvorada dos anos 1990, quando um novo grupo britânico chamado Massive Attack era aconselhado pelas autoridades a mudar de nome por causa do contexto bélico. E deixaram cair, temporariamente, o Attack.


O caso deu-lhes algum protagonismo, mas o que viria a marcar o seu percurso seria o lançamento em 1991 do álbum de estreia. Faz agora 35 anos. Robert Del Naja (3D), Daddy G e Mushrooom haviam-se conhecido no contexto do coletivo e “sistema de som” The Wild Bunch, que refletia o ambiente intercultural de Bristol.

Alguns anos mais tarde, em conversa com Robert Del Naja, este confessava que os The Clash haviam sido uma grande referência, pela forma como misturavam pós-punk e rock com dub ou funk. Faz sentido.


Com “Blue Lines”, sintetizavam o que vinha de trás (pós-punk, soul, hip-hop, dub, acid-house) ao mesmo tempo que projectavam o que se seguiria (pós-hip-hop, canção pop electrónica, música de dança que podia ser introspectiva).


Quase todos os temas são clássicos (“Safe from harm”, “Blue Lines”, “Daydreaming”, “Five man army” ou “Be thankful for what you”ve got”), mas “Unfinished sympathy”, com o seu coração rítmico a pulsar de soul, guiado pela voz de Shara Nelson, haverá de ficar como uma das canções mais admiráveis de sempre.


Para além de Shara Nelson, existem outras colaborações importantes, como Tricky, e a do músico e produtor Cameron McVey. Depois encetaram muitas outras aventuras musicais até aos dias de hoje, mas esse álbum continua a ter um lugar muito especial na história da música popular. É uma obra fundadora.

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