Ensaios, entrevistas, reportagens, reflexões, de hoje, e do passado presente, sobre cultura, música, artes, ideias, sociedade e política. Porque isto anda tudo ligado.
No País da Raspadinha
A “raspadinha” faz esta quinta-feira 30 anos.. É o jogo social mais lucrativo para a Santa Casa e também o mais estigmatizado, porque relacionado com uso patológico, o que não surpreende, num país sempre à rasca. Em 2022 escrevi sobre a coisa.
Onde Andam as Alternativas a Moedas?
As eleições são daqui a pouco mais de dois meses. Criticar o consulado de Moedas é relativamente fácil. Mas não chega. Se não for agora que se projeta um outro modelo de cidade será quando?
Casais
Casais. Ninguém diga que é fácil. Mesmo que saibamos todos que não é impossível.
Buraka Som Sistema: “Isto é Kuduro! Música com Futuro!”
Este fim-de-semana foi comunicado que os Buraka Som Sistema regressarão aos palcos em 2026, no festival Alive, 10 anos depois de terem terminado, e 20 depois de terem começado.. Fui aos arquivos resgatar um artigo que fiz nessa altura: “Isto é kuduro, música proscrita com muito futuro”, escrevia então.
David Sylvian: “Com os Nine Horses Sinto-me Livre”
Em 2005, David Sylvian, o irmão Steve Jansen e o alemão Burn Friedman criaram o álbum “Snow Borne Sorrow”, que foi agora reeditado em formato fisíco, em vinil, algo que nunca tinha acontecido. Motivo para recuperar uma entrevista que fiz a David Sylvian na altura do lançamento desse mesmo disco.
Zohran Mamdani: Novidade ou retrotopia?
Muito se tem falado dele, Zohran Mamdani, 33 anos, que se descreve como socialista democrático, candidato oficial democrata para as eleições à câmara de Nova Iorque, nas autárquicas de Novembro, nos EUA. Na campanha apostou em falar claramente de habitação acessível, rendas, desigualdade, salários, transportes, saúde ou creches públicas.
Música que Ouvi nos Primeiros Seis Meses do Ano e Ainda Não Esqueci
John Glacier, Maria Somerville, Model/Actriz, Jenny Hval, Destroyer, A Garota Não, Hesse Kassel, Djrum ou DJ Bebedera. Apenas alguns dos nomes que lançaram álbuns estimulantes nos últimos seis meses.
Crise da Habitação: Há Alturas em que não Conseguimos Ouvir
À boleia de um artigo de opinião publicado esta quarta-feira no The Guardian, assinado pelo investigador Agustin Cocola-Gant, sobre Lisboa, que se viria a tornar viral, muita gente disse que tinha de ser um jornal inglês a falar dos problemas de uma cidade que já foi atraente e acessível, para se tornar em poucos anos numa das mais inacessíveis da Europa, pelo menos para os locais. Não é verdade. Ao longo dos anos existiram muitos avisos sobre o que aí viria.
Dino d’ Santiago, Os Tubarões e Histórias de Cabo Verde em Palco
Este sábado, no festival Med de Loulé, cujo país em destaque é Cabo Verde, pela primeira vez, Os Tubarões vão subir ao palco com Dino na voz em algumas canções. Entre elas, Djonzinho Cabral, uma das que, em 1977, imortalizou Os Tubarões, e também a vida de João Alves Afonso, 102 anos em Abril, que todos conhecem como Djonzinho Cabral
A reinvenção em palco de FKA Twigs e Model/Actriz
Às vezes leva tempo. Desde 2012 que FKA Twigs tem vindo a criar gestos artísticos ousados. Nem sempre foi compreendida. Agora, finalmente, é-o. Percebe-se isso em palco.
Não lutar deixou de ser aceitável
O silêncio, o não tomar posição, o não sair à rua, deixou de ser opção.
Gaza
Tem sido assim há mais de 600 dias em Gaza, bombardeamentos, matança, massacre, mais de 55 mil mortes, mutilações, ruína, genocídio. Até quando?
Burial antecipou há 20 anos o vazio onde caímos
Estávamos em Maio de 2005 quando aquilo foi editado. Um som sombrio, atmosferas inspiradas pelo dub mas já uma outra coisa, ritmos sincopados adquirindo novas formas, uma névoa no horizonte por entre fragmentos vocais. Era um EP de quatro temas de nome “South London Boroughs”, que foi por estes dias reeditado. O misterioso Burial apresentava-se. Foi há vinte anos.
O olhar de fora sobre a revolução portuguesa
Entre Abril de 74 e Novembro de 75, Portugal foi o centro do mundo, e fotógrafos chegaram de todo o lado para reportar essa inquietação,. Entre eles, Sebastião Salgado, Serge July, Sylvain Julienne, Alain Mingam, Fausto Giaccone e outros. Está tudo na excelente exposição “Venham mais cinco”, patente em Cacilhas.
O ódio à igualdade
Coabitam na sedução por Ventura, duas lógicas diversas. O desejo de reparação. E a manutenção de privilégios a todo o custo.
Mujica, o PIB e as eleições: Não há outro futuro porquê?
Na morte de Pepe Mujica, e ocasiões semelhantes, os olhos brilham e agarramo-nos ao que nos faz sentir vivos, ao que atribui sentido à existência, ao que produz entendimento. Percebemos que aquilo que consideramos inútil como valor de mercado é tantas vezes o mais útil como valor de vida. Depois, rapidamente, encolhemos os ombros. Porquê?
Medita-se melhor a caminhar
Deixarmo-nos ir no fluxo da cidade, perdermo-nos nos seus desvios, perceber e ser estimulado pelas suas dissonâncias, desperta-nos, faz-nos estar mais aptos para dialogar com a realidade à volta. Com os outros.
A Garota do rio Sado e de tanto mar
“Ferry Gold” é o novo álbum de A Garota Não. Tal como no anterior, parte de personagens, ou de si própria, das suas memórias, vivências ou histórias, para pensar o nosso mundo coletivo em mudança.
Desbocados, autoritários, cruéis, endinheirados: Os Brutalistas
As noções clássicas de neoliberalismo ou capitalismo já não nos situam. O mesmo se aplica aos conceitos tradicionais de fascismo. Há traços, fisionomias e características que se assemelham. Mas também deslocamentos, desvios, torções. Estamos noutra zona. O brutalismo.
O direito ao litoral!
O eixo Setúbal, Troia, Comporta, Melides e Galé, outrora toda uma vasta área de coabitação entre diferentes estilos de vida, classes sociais e disposições, está em perigo. Os equilbrios ambientais, económicos e socioculturais estão postos em causa e existe quem resista.